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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Perdidos na viagem!

Fonte: Divulgação
Quem não se lembra das grandes enciclopédias ou mesmo tem em casa um acervo destes pesados livros? Se recordam também dos exercícios na escola, que determinavam pesquisa nestas coletâneas e nos faziam viajar pelos verbetes, espalhados por inúmeros volumes? Ah, tempo bom, pelo menos aos com mais de duas décadas de vida! O modelo de estudo não nos tirava das bibliotecas. Hoje, simplesmente com uma única busca no Google e o acesso aos hipertextos - forma de escrita não-linear na informática -, tudo se resolve. Tornou-se fácil fazer a “tarefa de casa”.

Não sou avesso à tecnologia. Pelo contrário, um fascinado com a evolução e abertura de novas possibilidades ao mundo real, nos mais diferentes campos. Todavia, preciso reconhecer que o desenvolvimento do processo tem “desmaterializado” produtos e, consequentemente, sensações e sentimentos. O que reconhecemos no tato, em uma boa parcela, são telas touchscreen de nossos dispositivos móveis, dos e-books, bem como o teclado e o mouse do computador.

Desde que o pioneiro da Tecnologia da Informação, Theodore Nelson, em 1960, “abonou” o termo hipertexto, uma série de contradições foi disseminada, entre autores, com relação ao formato em que ele se emprega. Para alguns, o hipertexto só ocorre no ambiente digital. Para outros, pode estar nos impressos e outras mídias sem a utilização do ambiente virtual – jornais, revistas, livros, manuscritos, documentos do Word.

Vou aderir a este último grupo. Além do contato na educação, considerando esta tipificação, acredito que um dos primeiros hipertextos a que tive contato é um antigo livro de receitas da mamãe, elaborado à mão, que traz os melhores pratos já apreciados e muitos segredos, trocados entre família e amigos. Cheio de anotações e referências, mesmo que sem uma adequada organização, nos fazia migrar de uma página à outra, já que seu índice se limitava a “doces” e “salgados”. Hoje, mesmo digitalizado – da qual tenho uma cópia -, muitas vezes, o exemplar acaba substituído, com todo respeito, por uma “googlada” para as experiências pela cozinha.

A multimidialidade gerada no ambiente digital é incrivelmente fascinante. Vídeos e sons casam-se com as letras neste cenário não-linear de leitura e nos tornam mais próximos da realidade. Porém, limitam a ousadia e a criação. Entregam tudo pronto. Ao mesmo tempo, são tantos hiperlinks nas páginas, que somos instigados a navegar. Com este efeito hipertextual no ciberespaço, nos sentimos motivados a seguir, sem rota pré-definida, com vistas a tornar flexível o espaço e o tempo – hoje tão fragmentado -, em relação à construção da leitura.

Os impressos, por exemplo, em suas notas de rodapé, sumário e nas chamadas de capa de um jornal, ordenam manuseio para localização de página ou exemplar no qual se encontra a informação complementar que facilitará o entendimento do texto. Recordo-me dos estudos nos ensinos fundamental e médio, em Álvares Machado. Se quiséssemos nos aprofundar nas informações, precisaríamos percorrer catálogos ordenados alfabética ou numericamente ou, então, através de classes e subclasses, separar os exemplares, para encontrar o conteúdo. A condução era morosa, mas certeira.

O hipertexto digital favorece a navegação em um só clique. O formato on-line permite o acesso a amplo conteúdo, sem ao menos exigir o deslocamento da frente da tela do computador. A multimidialidade nos impulsiona a acessar outras fontes que nos servem de referência. Na educação, por exemplo, amplia a ferramenta de ensino, mas pode nos levar a um caminho sem retorno. O ponto de partida fica tão distante que desnorteia o aprendiz.

Embora estejamos na era “web 2.0”, uma fase mais madura e encorpada da internet, é necessário atenção ao consumo. Qualquer cidadão publica o que quer no ambiente digital (mídias sociais, sites, blogs) e nem tudo é informação de pesquisa. Não vamos considerar o plágio e o “internetês” propagado. Melhor deixá-los para próxima abordagem. Ofertar a ferramenta de ensino, mas não ensinar seu uso fará da proposta pedagógica um verdadeiro fracasso.

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